terça-feira, 28 de março de 2017

Secção Silvestre dá destaque ao fotofilme


Gustáv Hámos e Katja Pratschke são os realizadores em foco na secção Silvestre do IndieLisboa. O trabalho desta dupla de origem alemã/húngara será mostrado no festival como uma das referências mais actuais na exploração, estudo e criação de fotofilmes. Gustáv e Katja têm vindo a trabalhar em torno do uso da imagem fixa em contexto cinematográfico não só enquanto realizadores, mas como curadores das Photofilm Film Series que estiveram em exibição no Tate Modern London, SFMOMA, San Francisco, National Gallery of Art Washington, entre outros.

Explorando a relação entre a fotografia e o movimento, Gustáv Hámos e Katja Pratschke criaram uma linguagem que desafia o espectador a descobrir novas formas de perceber o tempo, o espaço e o movimento. Para o IndieLisboa foram seleccionados um conjunto de 9 filmes que apontam as imensas potencialidades do fotofilme, enquanto género ímpar na desconstrução das relações entre linguagem, som, música e imagem. 

O primeiro ciclo dedicado aos cineastas, compõe-se com Cities, uma narrativa sobre as cicatrizes físicas de cidades como Nova Iorque, Budapeste ou Berlim que explora a humanidade e desumanidade das sociedades; Transposed Bodies, uma história sobre o amor partilhado de dois grandes amigos que perdem a cabeça num desafortunado acidente; e Rope, filme com inspiração clara no trabalho de Étienne-Jules Marey sobre a história de um homem com a corda ao pescoço. 

O segundo ciclo deste foco, integra Rien ne va plus, onde uma cadência repetitiva de eventos abre espaço a uma reflexão sobre as noções de tempo, luz e espaço; Fiasko, filme inspirado no romance homónimo de Imre Kertész (Nobel da literatura) sobre a história de vida de um escritor judeu-húngaro e a continuidade da opressão no pós segunda guerra mundial; e Cities (Potential Space), uma ficção sobre cidades futuras e imaginadas que reactualiza a obra ímpar de Italo Calvino.

Um terceiro ciclo olhará o trabalho a solo de Gustáv Hámos, recuperando as obras que marcaram o início da sua carreira e a importância que as mesmas tiveram no pensamento sobre o lugar do vídeo no cinema. Para este ciclo o IndieLisboa recupera a história do superherói Flash Gordon de Seins Fiction II, a alegoria à Alemanha pós-industrial de Luck Smith e 1989 - The Real Power of Television, que questiona o impacto da televisão na vida comum através do diálogo entre os factos históricos do pós-Guerra do Golfo e as rotinas diárias da avó do realizador.

A par dos filmes, o IndieLisboa está ainda a preparar uma programação complementar de conversas em torno das conexões entre cinema, fotografia e arquitectura.

O IndieLisboa 2017 by Allianz é organizado pela IndieLisboa - Associação Cultural, com o apoio financeiro do Ministério da Cultura/ICA - Instituto do Cinema e do Audiovisual, da CML - Câmara Municipal de Lisboa, do Programa Creative Europe da União Europeia e da Allianz Portugal; em co-produção com a Culturgest e o Cinema São Jorge e em parceria estratégica com a EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, EEM.